De olho no céu procurando subir.

Quando temos uma boa quantidade de cumulus de bom tamanho, pode-se esperar que pelo menos metade das nuvens tenham alguma ascendência quando você as alcançar. Aqui vão algumas sugestões para pilotos de cross country que procuram sustentação nestas nuvens.

Uma pesquisa mostra que debaixo alguns cumulos, somente 10% do ar contém ascendência útil.

A nuvem ideal está longe de ser rara e a maioria dos pilotos sabe como ela deve ser. Tem a base chata, topo bem definido com voltas arredondadas sem repuxos os falhas, parecendo-se com um triângulo equilátero. Não é nem muito alta nem muito chata e são bem distribuídas como árvores num pomar. Para conseguir estes cumulos ideais é necessário uma instabilidade moderada, ar relativamente seco e vento vertical com poucas falhas.

Na maior parte do verão temos que nos contentar com um tipo mais inferior de nuvens e aprender a tirar o melhor partido delas.

A vida dum Cumulos

Alguns pilotos têm uma idéia exagerada da duração de uma térmica. É bom estar ciente do tempo de vida de um cumulos; pois alguém pode ficar numa má posição ao esperar tempo demais numa térmica fraca, planeando saltar para outra nuvem com melhor aspecto depois de ganhar altura. Na altura em que você finalmente se mover, a próxima nuvem já pode estar em fim de ciclo de vida.

Os Cumulosa têm sempre melhor aspecto vistos de lado

Se você olhar outra vez para a nuvem fraquinha que acabou de deixar para trás, ela deve parecer melhor agora! Possivelmente, isto deve-se ao facto de ela ter recebido uma nova injeção de térmicas desde que você saiu dela. Fique atento; muitos cumulos parecem melhores vistos de lado do que por baixo. Algumas nuvens supostamente bem formadas, tem uma boa aparência à distância; mas quando você chega por baixo delas, acabam sendo algo bem decadente. Entretanto, se a sua última nuvem perdeu toda a sustentação antes de você deixá-la, vai estar provavelmente a dissolvr-se em farrapos quando você olhar para trás.

É comum pufs efêmeros ou mechas brancas aparecerem bem acima de uma forte inversão e desaparecerem num minuto. Na altura em que você as avista a térmica já terá acabado. Com sorte haverá outra logo em seguida. Entretanto, se o puf se formar logo por baixo da inversão (onde o ar é mais humido) normalmente indica uma nova termica que durará o suficiente para te dar uma boleia.

Cumulos altos e alongados quase sempre tem vida curta. Estas "nuvens relampago" formam-se em cinco minutos ou menos e se dissolvem dois minutos mais tarde.

Cumulos com uma forma quase triangular tem um tempo de vida moderado; muitas parecem viver por dez ou quinze minutos, mas podem ser reavivadas por novas térmicas. Quando isto acontece você poderá observá-las começarem a decair e serem realimentadas com uma nova forma.

Cumulos que formam uma linha normalmente são uma série de pequenas torres, lado a lado e podem durar meia hora ou mais, especialmente se se formaram sobre a linha de uma montanha com uma encosta ensolarada.

O que controla o tempo de vida dum Cumulos

O tempo de vida depende de:

1. A massa de ar da nuvem e a quantidade de térmicas que continuam a reavivá-la. Quanto maior uma nuvem se torna, mais ela demora para se dissipar, mas irá tornar-se quase inerte no final da sua vida.

2. Quão seco está o ar a volta. A evaporação é lenta no ar humido, então a cumulos demoram a evaporar. Em contraste, cumulos que penetram no ar muito seco (normalmente encontrado acima da inversão) dissipam-se muito rapidamente.

De manhã, dificilmente há uma grande reserva de calor para formar térmicas. Como resultado as nuvens recebem apenas uma ou duas térmicas. A pobre nuvenzinha fica faminta de energia e logo desfalece.

De tarde, os cumulos são normalmente alimentados por várias térmicas, então o seu tempo de vida é maior. Filmagens do tempo de vida, mostram que estas nuvens são mantidas por vários novos reavivamentos. Qualquer térmica tem uma vida curta, mas o efeito geral é produzir uma nuvem de tamanho moderado com uma vida de 15 a 30 minutos.

No 1º minuto, poucos segundos após a formação dos pufs. Se você está por perto esta é a nuvem para a qual se deve dirigir, porque a térmica está nova e forte. No 3º minuto, uma segunda termica surgiu para produzir outro pequeno cumulos por perto. Normalmente aparece do lado do vento. No 6º mostra a térmica torna-se dominante e gera uma nuvem mais alta. No 9º minutoesta torre alta curva-se com o vento e talvez forme um anzol activo. Enquanto isso acontece, uma nova térmica já produziu outra célula, às vezes com um pequeno degrau entre as duas bases. O 12º minuto mostra os primeiros sinais de degeneração. Ganchos, dentes pontuiagudos e plufs esfarelados são normalmente sinais do vento seco a passar pelo topo da nuvem e evaporando as bolhas arredondadas em fiapos espaçados. O último estágio antes da nuvem desaparecer acontece quando todos os sinais de cumulos já desapareceram deixando uma massa esparramada apenas com descendentes por debaixo dela.

Nuvens de vida longa

Um Cumulonimbus larga o bastante para produzir uma chuva substancial e pode crescer até à maturidade em meia hora, e (se nenhum fornecimento aparecer) irá esfarelar-se logo em seguida. CB´s são monstros que desenvolvem "supercélulas" e não dependem apenas duma térmica individual. Estas nuvens formam-se num tipo de corte de vento que separa a ascendência quente e humida da descendência fria e molhada. A sustentação torna-se um processo contínuo como uma esteira transportadora vertical. No topo torna-se horizontal, assim que encontra um vento mais forte que sopra o ar dando-lhe o formato de bigorna. O vento forte funciona como um exaustor jogando fora o ar ao invés de deixá-lo afundar em descendente. (Mas ainda existem áreas com descententes ferozes em algum lado!) Como resultado, estes monstros têm um tempo de vida de várias horas; elas podem continuar noite a dentro e seguir em frente mesmo que a tempestade se movimente em direcção ao mar.

Fonte: Texto traduzido retirado da Revista Cross Country Nº63, Junho/Julho 1999