Considerações sobre a atmosfera e térmicas

Efeitos do ar que devemos prestar mais atenção

  • Elasticidade
  • Massa
  • Propriedades ondulatórias
  • Efeito “tampão” das camadas superiores

Devemos ter estes efeitos / propriedades sempre em mente para podermos visualizar as “montanhas” invisíveis que lutamos para seguir, estas montanhas são as grande regiões de descendentes e as regiões de ascendentes.

Quero dizer com isto que na atmosfera formam-se estas regiões, que vêm da interacção dos ventos, do relevo e de todas as propriedades da atmosfera.

Seguir estas regiões, saber onde elas estão, para cruzá-las mais eficientemente será um grande salto na sua qualidade de voo.

Quanto ao efeito tampão, quero dizer que o ar acima das térmicas, pode funcionar como uma tampa, um bloqueio para as térmicas, e quando este bloqueio é rompido, fica o “furo” nas camadas superiores; E este furo, move-se um pouco, levado pelos ventos e aumenta ou diminui de tamanho, dependendo do momento que a térmica o encontra.

O momento de formação do furo, sua maturidade e seu colapso são fases muito diferentes, e assim sendo, devem ser tratados de maneiras diferentes para sermos mais eficientes no voo em térmica.

Térmicas

A forma das térmicas

A forma que a térmica apresenta varia muito com a sua intensidade e a força do vento, podendo ir de colunas bem comportadas, passando por bolhas rolantes e até por “ondas”.

Uma térmica possui basicamente três fases básicas, a sua formação, maturidade e colapso. Estas fases podem alternar-se numa mesma térmica, isto acontecerá quando ela encontrar uma inversão ou um cizalhamento, por esta razão é muito importante identificar estes fenómenos quando eles acontecem.

Em cada fase da térmica ela apresenta uma forma básica, na fase de formação, as bolhas pequenas tendem a agrupar-se, com derivas não muito definidas; Na fase de consolidação, a deriva é mais contínua, sendo mais fácil a centralização, principalmente com o GPS; Na fase em que ela se dissipa, é o momento certo para sair dalí! A não ser que tenha um bom motivo para ficar lá sem subir mais.

É difícil generalizar como é a forma de uma térmica, como ela sobe, onde é mais forte e quando vai parar ou ficar mais forte, portanto não desanime, é dificil para todos! Uma térmica é de natureza caótica, obedecendo a leis de princípio turbulento.

Para se ter um bom rendimento numa térmica é preciso muita experiência para se adaptar às suas manhas, uma das maneiras mais práticas é usar a técnica das águias e a regra da inclinação.

Algumas das formas de térmicas que consigo generalizar são:

  • Forma de cortina (forma básica para quase todas elas)
  • Forma de árvore, com raízes sem copa
  • Forma de coluna
  • Forma de ovo frito.
  • Forma elíptica
  • Forma de onda.
  • Forma de bolha na água

Muitas destas formas estão presentes numa mesma térmica, ela vai mudando de forma de acordo com as variações de direção de vento, inversões, altura, presença de outras térmicas próximas, ciclos etc…

Cada uma delas comporta-se de uma maneira peculiar, e para termos melhor rendimento temos de nos comportar de maneiras diferentes.

Muito importante é que alguns padrões tendem a repetir-se, como por exemplo:

  • As inversões, ou seja o ponto onde a térmica se quebra.
  • A tendência da deriva, contra ou a favor do vento, neste caso muita atenção com os ciclos, que vão ajudar a definir esta tendência.
  • A intensidade da térmica
  • O tamanho das bolhas , colunas ou qualquer outra forma identificada.

Ou seja, adapte o seu método de centragem constantemente de acordo com a condição.

Inversões e cizalhamento

Uma inversão é a mudança do factor de arrefecimento do ar, em relação ao aumento da altitude. Normalmente o ar resfria a uma taxa de 1 grau a cada 100 metros (D.A.L.R.), quando esta taxa muda, ao ponto da temperatura até aquecer com uma maior altitude, dizemos que estamos tendo uma inversão térmica.
Praticamente o que sentimos é uma perda de força da ascendente, podendo esta quebrar-se e parar de subir ou ir subindo muito lentamente. Algumas vezes conseguimos ultrapassar a inversão e continuar a subir, porém devemos avaliar se será mais vantajoso aproveitar a fase doce da térmica. Por vezes podemos identificar a inversão como uma faixa nebulosa a uma certa altitude.

Quando estamos subindo numa térmica e sentimos que num certo momento ela parece desfacelar, pode não ser uma inversão e sim uma camada de cizalhamento, ou seja, uma camada onde o vento mudou de direção.

Devemos ficar muito atentos a este tipo de efeito, pois podemos ter grandes variações de direção, ou ter uma faixa de convergência; com isto podemos ser muito mais eficientes.

Há ocasiões onde existem várias zonas onde a razão de arrefecimento do ar muda, assim como a direção do vento. Algumas destas zonas estão abaixo de uma certa altitude, o importante é tentar não ficar abaixo desta faixa.

Um facto interessante é que por causa de um destes efeitos descritos acima, temos térmicas que não saem do chão e sim de uma certa altitude. Então passa a ser muito importante escolher uma melhor faixa de altitude para se trabalhar.

Centragem

O mais importante é que em cada região, em cada dia ou hora, existem padrões de térmicas que se repetem. Identificar o padrão da térmica onde você está é importantíssimo, e para cada um destes padrões temos de ter estratégias especificas para poder subir mais eficientemente.

Pôr exemplo, girar rapidamente a favor do vento ou rápido contra o vento, passar pelo primeiro nucleo e enrolar no segundo, derivar mais ou menos, rodar em apenas meia térmica, forçar para um dos lados da térmica etc..

Duas regras principais para subir muito rápido: faca um mapa mental da térmica, usando referências geográficas, GPS e o vario para saber exactamente onde está e qual a taxa de subida da térmica; e lembre-se de pesquisar sempre, procure sempre para onde a térmica foi, e onde está o centro mais forte, não julgue que você é um génio, que centrou rapidamente e está tudo bem.

Sobe mais rápido quem se adapta constantemente às mudanças da térmica, quem acha o nucleo quando ele muda de lugar. Todos sobem muito bem em térmicas grandes e definidas!

Princípios básicos

O ideal é que já tenha um padrão aproximado da estrutura da térmica, que para determinar, você voou nos dias anteriores, observou outros voadores e descolou cedo para testar as condições, já feito isto fica muito mais fácil centrar.

  • 1- Encontrou sinal da térmica, tenha em mente o tamanho da área de perturbação, deixe penetrar na melhor parte, gire contra o vento, se colidir directamente numa parte forte, gire no sentido contrário da tendência provocada pela térmica, mantenha-se dentro da térmica, fique girando, mentalize o tamanho do nucleo, sua intensidade, e sua localização, usando referências geográficas e GPS.
  • 2- Pesquisa do centro, do tamanho e da deriva da térmica, fazendo um 270º + 360º, dependendo do padrão da região, não vale a pena pesquisar.
  • 3- Optimização da taxa de subida usando regra da inclinação, táctica das águias e GPS.
  • 4- Repetir fases anteriores e:
  • 5- Determinar a parte “doce” da térmica, em função dos dias anteriores, de outros voadores, e da sua taxa de subida. Neste ponto sempre pense em "Mc Ready" e "Speed to fly".
  • 6- Hora de sair da térmica

A quinta e a sexta fase têm de ser usadas em todas as fases da térmica e quando possível nas transições, observando outros voadores.

Lembre-se que para ser eficiente numa térmica é muito importante que você seja suave dentro dela, o ideal aerodinâmicamente é que você mantenha uma inclinação o tempo todo, porém isto é muito difícil. Tente achar um ponto ideal entre correcções, sua taxa de subida e a procura de um centro melhor.

Tudo isto tem de ser feito de olhos bem abertos pois ao ver alguém subido mais do que você, não hesite em abandonar a sua térmica, por mais forte que ela seja.

Os padrões de uma térmica repetem-se, como o tempo do ciclo, local do gatilho, altura da base, intensidade, lado melhor, tamanho e forma.

As térmicas na maioria das vezes são cíclicas, isto significa que você pode estar fazendo tudo corectamente mas no momento errado, muita atenção aos ciclos.

Regra da inclinação

Lembrem-se que trabalhamos com uma grande desfasamento entre o nosso comando e a reacção da asa, portanto pense sempre alguns segundos antes do seu comando.

Taxa de subida aumenta, então diminua a inclinação da curva.

Taxa de subida diminui, então aumente a inclinação da curva.

Métodos de centragem usando o GPS

O GPS foi uma das invenções que mais me auxiliaram no voo, a ponto de que se me perguntassem qual aparelho eu escolheria como mais importante, seria o GPS. Neste tópico falarei apenas de métodos de centragem usando este aparelho, mais à frente veremos outros usos.

Quando estiver voando, é imprescindível que voe com o GPS no modo de gravação de rota em automático, e visualizando o ecrâ, num tal ponto que consiga ver pelo menos umas cinco voltas que você traçou na térmica, estas trilhas que deixamos, mostram vários detalhes da térmica que nos auxiliam muito.

Como por exemplo:

  • Cizalhamento
  • Diferentes direções de vento nas camadas e em diferentes regiões
  • Bolhas unindo-se
  • Inversões
  • Térmica a dispersar-se (ciclo a acabar)
  • Térmica aumentando de intensidade (ciclo no ínicio)
  • Melhores rotas para cruzar linhas
  • Como voltar para a térmica.
  • Centragem

Para centrar usando o GPS, o principal factor é ver as rotas em que estamos a voar, e tentar supor como será o padrão destas rotas. Obtendo este padrão, basta segui-lo.

Boa sorte a todos.

Fonte: Frank Brown (Tri-Campeão Brasileiro)